Quem nunca se perguntou como surgiu o violão, não é verdade? Um instrumento tão cheio de detalhes, com uma sonoridade tão bonita, com tantas possibilidades e técnicas não pode ter aparecido por aí do nada…

Neste artigo tentaremos cobrir o “mais fundamental” da história do violão, já que seria impossível dar conta de quase 4 mil anos de história em apenas um artigo.

Quatro mil anos de história?? surprised

É isso mesmo! Mas é claro que essa data remonta ao que é considerado o mais antigo ancestral do violão que conhecemos hoje. Arqueólogos descobriram placas de barro com pessoas tocando instrumentos musicais, muito similares ao nosso violão de hoje em dia, na antiga Babilônia por volta de 1900-1800 a.C.

Porém o violão não tem uma linha de evolução comprovada e sua origem é incerta. Há na verdade duas teorias que são as mais aceitas entre os pesquisadores do assunto…

KHETARA GREGA

A primeira teoria é de que o violão teria derivado da “khetara grega”, que com o domínio do Império Romano passou a se chamar “cítara romana” ou “fidícula”. Chegou na Penísula Ibérica por volta do século I d.C. com os romanos. Era um instrumento que se assemelhava à “lira”.

Posteriormente várias transformações foram acontecendo: suas duas hastes foram se unindo, formando uma caixa de ressonância; depois acrescentaram um braço com 3 cravelhas e 3 cordas e nesse braço instalaram várias divisões transversais (os trastes smile ) para que se pudesse alcançar várias notas de uma mesma corda.

Essas transformações acabaram por mudar também a forma como o instrumento era tocado. Ele deixou de ser tocado na posição vertical e passou a ser tocado na diagonal (bem próximo do que fazemos hoje).

Olhando com um pouco de imaginação para estas fotos, dá pra enxergar a transformação, não dá?

ALAÚDE ÁRABE

Na segunda hipótese, o violão seria derivado do “alaúde árabe”. Durante as invasões muçulmanas à Penísula Ibérica, os mouros islamizados do Maghreb invadiram a Espanha sob o comando de Tariz. Tendo conquistado a região, no período de 711-718 a.C. formou-se um emirado subordinado ao califado de Bagdá, onde o alaúde árabe foi introduzido.

VIHUELA

É importante levar em conta que durante o século XIII tanto a Khetara de origem grega quanto o Alaúde Árabe existiam na Espanha, como aparece nesse texto do pesquisador MACHADO (2008):

Nas Cantigas de Santa Maria, do Rei Afonso X, El Sábio (1221 – 1284), rei de Castela de 1221 a 1284, apareciam ilustrações de dois tipos distintos de guitarra: uma oval, com incrustações e desenhos árabes, mas nas mãos de um músico Mouro, que seria a guitarra mourisca; outra forma de oito, com incrustações laterais, tocadas por um músico de feições romanas, que seria a guitarra latina. No século XVI na Espanha, a guitarra mourisca com quatro coros de cordas, era usada para acompanhar cantos e danças populares, enquanto que a guitarra latina — a vihuela, pertencia ao músico culto da corte.

Note que agora temos um novo personagem… a Vihuela! Só de olhar pra imagem já dá pra perceber o parentesco com nosso querido violão…

A vihuela acabou se desenvolvendo bastante em suas três formas existentes na época: vihuela de arco, de mano e de plectro. Esse desenvolvimento e difusão acabaram por forçar o alaúde a se fixar em outros países, como a Alemanha, por exemplo.

Esses “vihuelistas” foram então os precursores da técnica, dos métodos e formas musicais para toda a música instrumental que viria depois.

Repare também que o autor usou a palavra guitarra para falar dos instrumentos. Essa é uma outra questão muito interessante.

Você sabia que o violão só tem esse nome no Brasil? Em todos os outros lugares, inclusive nos países de língua portuguesa, o nome deste instrumento é guitarra!

O termo guitarra é uma derivação da kethara grega, que na Idade Média passou a se chamar guitarra, guitarre, guithem guitar. Já o termo vihuela vem de fidícula, que se transformou em fithele, vielle, viole, viola, vigola, viula, vihuela, vyuela e vigüela.

Quando os portugueses trouxeram a guitarra para o Brasil, já havia por aqui um predecessor da nossa “viola caipira”, que era a “viola portuguesa”. Esse instrumento era chamado apenas de “viola” e quando a guitarra chegou ao Brasil, um outro instrumento com as mesmas características, porém um pouco maior… já entendeu, né? Era um vioLÃO…

Mas a evolução do instrumento até chegar ao que ele é hoje teve um ponto, na verdade um nome muito marcante.

ANTONIO TORRES

No decorrer dos anos de existência do violão, foram feitas várias experiências e modificações com a intenção de aprimorar sua sonoridade. O modelo que conhecemos hoje foi criado pelo luthier espanhol Antonio Torres em meados do século XIX. Sua criação foi tão superior a tudo que já existia até aquele momento que se tornou o modelo definitivo na Espanha e de lá se espalhou pelo mundo!

Pronto, agora você já conhece um pouco mais sobre como surgiu esse maravilhoso instrumento! Se você gostou desse artigo não se esqueça de comentar e compartilhar com seus amigos. Aproveite e se inscreva em nosso blog para receber atualizações de novos artigos como este e ter acesso gratuito a todas as nossas Vídeo Aulas!